Cultura das drogas em Trainspotting e Pornô – Por Irvine Welsh (2006) [tradução]

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Imagem | Antimidia

Tradução livre | Eder Capobianco Antimidia

Originalmente publicado em 8 de outubro de 2006, no jornal Sunday Telegraph.

Em uma recente visita de volta para casa, em Edimburgo, cruzei com um antigo conhecido que parecia um pouco pior do que da última vez que o vi. Ele estava andando cambaleando pela estrada, suando pesado, mas, ao perceber minha presença seus olhos vidrados me fitaram. Eu sabia que ele estava vindo para tentar me atacar por um pouco de dinheiro para heroína. Quando ele preparou seu golpe eu estava, simultaneamente, me esforçando para manter minhas desculpas. Não precisava ter me preocupado. O que Don (não é seu nome real) queria não era dinheiro – ele tinha o suficiente para suas necessidades imediatas – mas heroína. Tenho que confessar que me senti um pouco surpreso com seu desabafo de que “os estudantes são todos nóias de pico agora”.

Isso não soava verdade. Os bem sucedidos estudantes de Home Counties, que dominam a cena universitária de Edimburgo, nunca tinham mostrado propensão para o consumo de heroína em nenhuma escala na vida cultural de nossa cidade. Cocaína talvez, sim. Ecstasy nas boates, tudo bem. Mas pico…mas então, novamente, as pessoas estão fazendo um monte de coisas que não faziam antes.

Aquele era o entendido, um amigo profissional meu que nunca tinha mostrado nenhum interesse em pedras de cocaína, mas que agora cheirava para a Escócia. E havia uma dona de casa que, poucos anos antes, teria usado bicarbonato de sódio para assar biscoitos, não para batizar cocaína. Tentei explicar para Don, tão beatamente quanto poderia, que eu estava um pouco fora daquela cena específica naqueles dias, e fazia muitos anos. Olhando para ele fiquei muito contente por isso. Sempre considerei Don um auto-médico pragmático, alguém só um pouco naturalmente fora do equilíbrio, que ele então restaurou com heroína. Como muitos junkies de longo prazo, ele estabilizou seu hábito através da metadona. Entretanto, uma recente separação da sua parceira de longa data o afetou adversamente e ele começou a usar pesadamente. Este é um dos grandes problemas da heroína, ela sempre quer um pouco mais de compromisso de você. Mesmo depois que você está fora há anos, ela ainda está incrustada no seu vocabulário emocional, apenas esperando que você escorregue, antecipando sua próxima quebra de relação ou falecimento.

Quando embarquei no meu primeiro romance, Trainspotting, cerca de doze anos atrás, estava escrevendo em resposta a vários fatores. O mais importante era a cidade que cresci, e a estava entendendo como um lugar muito diferente daquele pintado pela mídia e pela indústria do turismo. Edimburgo tinha desenvolvido uma cultura complacente baseada nos festivais de arte internacionais, onde a população indígena consistia exclusivamente de advogados da Cidade Nova. Um absurdo auto-evidente, talvez, mas a sabedoria adquirida alcançou tal hegemonia que levou a maior epidemia de AIDS ligada a heroína da Europa, que deu para alguém tentando escrever sobre a classe trabalhadora da cidade qualquer tipo de credibilidade. Aliado a isso, havia a indústria do turismo de biscoitos de caixinhas de metal, que tinha mudado pouco desde os dias de seu começo, quando Sir Walter Scott obsequiosamente tentou puxar o saco do inflado alcoólatra Príncipe Regente. Mas havia uma razão mais pessoal para escrever Trainspotting, como é provavelmente o caso dos escritores. Eu estava tentando entender o meu próprio tempo de abuso de heroína, e sequente envolvimento com o ecstasy através das raves e da cultura acid house.

Depois da heroína não estava disposto a tomar outras drogas, com exceção do socialmente, e legalmente aceitável, álcool, e inicialmente resisti a chamada cultura “rave” ou “acid house”. Além do perigo potencial das drogas, era difícil ver o atrativo de dirigir por quilômetros para estar em um sítio frio para uma festa que pode não acontecer, ou ser interrompida a qualquer momento. Claro, não tinha tomado um comprimido até então. Uma vez que tomei fez perfeito sentido e não poderia perder isso por nada no mundo. Assisti pessoas reprimidas, tímidas, se tornarem táteis, superstars do amor à primeira vista, no espaço de poucos minutos. A interface entre a droga, a música e o evento é incrível; exatamente o que precisava para o momento. O que impressionou, porém, era que as pessoas que estavam curtindo e detonando pílulas de ecstasy não eram drogados hard core. Algumas vezes você verá um rosto rave na rua, ou no escritório, ou no ônibus, e você trocará um sorriso gentil como conhecidos. Era um verdadeiro império invisível e uma revolução social. É claro, existe sempre um lado ruim.

Bem como quebrar barreiras entre as pessoas, o ecstasy pode corroer as fronteiras psicológicas e sociais naturais que construímos para proteger nós mesmos. Provavelmente, a longo prazo, arruine tanto as relações saudáveis quanto trazer novas e excitantes. Adicionalmente, muitas pessoas começaram a viver para o fim de semana e a “desmoronar” durante a semana – a letárgica depressão -, apenas fazendo da vida normal ainda menos atraente. A tolerância das pessoas a droga aumentou, pois muitas doses, até mesmo do ingrediente ativo do ecstasy MDMA, simplesmente não funcionavam mais. O estilo dance music se multiplicou e divergiu, muito do sentido de unidade da cena evaporou. Mas as características da música house eram de que pertencia a um determinado grupo de pessoas que as conheciam; era nossa. As publicações para os jovens da última geração, bem como da outra, como The Face e a NME, simplesmente não entenderam isso e então ignoraram a cultura dance music, então ela gerou sua própria imprensa.

Naquele tempo cultura e subcultura eram, na minha cabeça, cruciais no entendimento do porque determinadas pessoas tomam determinados tipos de drogas. Trainspotting preocupou-se com a subcultura junkie da classe trabalhadora de Edimburgo. Os personagens eram basicamente inocentes, jovens da geração onde nenhuma educação sobre drogas – tal como era – veio daquela escola falida, desacreditada, mas ainda resiliente no “apenas diga não”. Os “Trainspotters” provavelmente foram avisados por uma variedade de figuras de autoridade: pais, professores, assistentes sociais e funcionários da saúde: “não use drogas – elas vão matar você”. Infortunadamente esse conselho não contou com as experiências reais que essa geração tem. Pessoas usaram maconha e viveram. Eles beberam álcool e sobreviveram. Trituraram e cheiraram anfetamina e ainda estão por aí para contar a história. As figuras de autoridade não mostraram nada, exceto o quanto ignorantes, assustados e fora do tom elas eram. Depois, as ruas de Edimburgo ficaram inundadas, primeiro com a heroína farmacêutica da planta local, e as matérias primas baratas importadas do Paquistão.

Vindo junto com o desemprego em massa, a heroína estava acompanhada, novamente, pelo velho lamento de morte iminente. Os meus próprios pais me disseram que fumar mato ia me matar (errado) ou levaria à heroína, que iria me matar. Esta segunda questão foi provavelmente correta, entretanto não pelas razões que eles imaginaram. Maconheiros e os que se picam tendem a ser tipos muito diferente de pessoas, e fumar e curtir erva não vai fazer você querer usar heroína mais do que tomar um chá vai. Traficantes, entretanto, vão vender qualquer coisa, e, perversamente, é a ilegalidade da cadeia de fornecimento das drogas controladas que coloca as pessoas em contato com substâncias que normalmente não podem escolher. Claro que, quando a epidemia de heroína chegou, as figuras de autoridade choravam lágrimas de crocodilo, uma vez que com demasiada frequência, embora mais por acaso do que pela ideia, havia alguma verdade em seu mantra. Pessoas começaram a ficar doente, ter overdose e contrair HIV – pensava-se naquele momento que era uma doença do homem gay – por compartilhar utensílios injetáveis.

Dez anos depois, meu novo livro Pornô revisita os mesmos lugares e personagens. Embora o livro seja primariamente sobre nossos outros grandes vícios – sexo, dinheiro, fama e poder – as drogas ainda desempenham um grande papel, mas não a parte central. (Eu afirmo que não há como retratar a vida social contemporânea britânica, na ficção, sem alguma referência a elas.) Ainda comparando os dois livros, é interessante perceber como o comportamento da droga tem, fundamentalmente, e talvez irreversivelmente, mudado nesse período. Acho que quando estava escrevendo Trainspotting estava me remetendo a cultura das drogas nos anos 1980, provavelmente até o início dos anos 1990. A diferença crucial, então, foi que havia cultura e subcultura das drogas definíveis. O que surge com Pornô, e o que eu afirmaria agora, é que agora não existe uma verdadeira cultura da droga como tal, apenas a cultura do consumismo em que, e cada vez mais com a disseminação da globalização, todas as outras culturas foram submetidas. A música, por exemplo, agora aborda o mercado de maneira muito mais nua. É menos sobre vir de um determinado lugar, e mais sobre poder ser embalada como uma commodity e ser vendida dessa forma. Popstars e ídolos são a melhor forma de comercializar música. No passado a cultura, ou a “cena”, produzia seu próprio som. Agora a música e o artista são apresentados de acordo com uma noção captada, comumente baseada numa pesquisa de mercado ou o que está atualmente na moda, como o que “as crianças” querem. Então você tem consumo estéril e passivo em vez de cenas vibrantes, e a cultura das drogas que costumava acompanhá-las.

Olhando para trás na minha própria vida, muito grosseiramente; os hippies tinham sua erva, os punks tinham speed e sidra, alguns beatniks, depois as pessoas das casinhas de periferia, tinham pico, os ravers tinham seu “e”, os yuppies a coca, os pobres tinham o crack e o resto tinha álcool. Agora que todo mundo é um consumidor, o indivíduo meramente escolhe o que vem de encontro às suas necessidades numa noite em particular. A escolha da droga agora é determinada pela disponibilidade, associado, ao estilo de vida (e podemos ter tanto quanto podemos pagar), e uma auto-imagem que é, novamente, flexível. Em suma, o comportamento da droga reflete o que está acontecendo no resto da sociedade, enquanto ao mesmo tempo, indiscutivelmente, a influência. Substâncias uma vez vistas como elitistas, e com determinadas glórias, são agora comuns por todo o espectro social. Hoje em dia os hooligans do futebol consomem mais cocaína que os yuppies, o preço da grama de coca caiu de cerca de £100 para £40 nos últimos dez anos. Muitos destes mesmos hoolies, por sua vez, agora desprezam o ecstasy porque um ou dois é o lance, simplesmente não pode mandar muito – apenas uma droga de criança. Enquanto muitos jovens abastados parecem querer imitar a classe trabalhadora no discurso e na roupa, o inverso também é verdade com pessoas de origem humilde adotando as antigas formas de notável sucesso, o que, naturalmente, significam consumo notável. Se você visse uma limousine alongada em uma rua de Londres há dez anos atrás sua cabeça ia girar, porque alguma estrela de rock cheirada ia sair dela, com garrafas de champagne nas mãos. Agora os ocupantes são mais propensos a ser de uma despedida de solteiro de Dagenham.

Mas, voltando para à era “Trainspotting”, geralmente você aceitaria o que seus amigos e colegas tinham. Mais uma vez, falando sem rodeios, se eles bebiam com a galera numa festa no jardim, seu copo seria completado. Se eles estivessem com canecas de cerveja, você, provavelmente, estaria também. Se delirar no ecstasy fosse o barato, então você provavelmente teria algo disso. Se eles estivessem sentados em um grotesco apartamento enfiando agulhas em seus braços, a chance de você ser atraído para a cena aumentava exponencialmente. Quando cultura era cultura, um verdadeiro punk não fumaria erva hippy, enquanto os ravers desprezavam aquela “violenta, e droga de velho”, álcool. Você nunca esperaria encontrar uma gang do Stoke City em um antro de crack na zona oeste em New York Lower, como aconteceu comigo poucos anos atrás. Agora tudo e mais acontece, grupos companheiros estão representando a droga da mesma maneira que a publicidade faz com os fast-food que consumimos em volumes crescente e que ameaçam à saúde. O problema com isso, claro, é que a droga está em todo lugar, não onde deveria estar, no underground, porque o underground realmente não existe mais. O mainstream comercial se apropriou dele, quase parecendo ciente de si mesmo. Portanto, as drogas não estão mais contidas em sua cultura ou subcultura. Quando a música house virou “overground”, e os superclubes tomaram isso para eles, exportaram inadvertidamente uma cultura de consumo de drogas para o entretenimento convencional. Todo anúncio de televisão da mais recente compilação de dance music de Ibiza, com bebês com olhos insensíveis se contorcendo na pista de dança, é efetivamente uma propaganda de ecstasy, cocaína e outras drogas. Propagandas, filmes e a televisão agora parecem estar saturadas com as imagens da trip. No caso do primeiro, a sugestão é que o designado produto promovido proporciona alteração da mente ou da consciência – emergindo poderes, mesmo se o ingrediente ativo é só cafeína. Red Bull, Tango e Coca Cola estão, portanto, limitados a ser um desapontamento para qualquer um que procura “asas” ou queira um golpe de real explosão. Não é de se admirar que as pessoas se mudem para “a coisa real”. Agora as pessoas estão tomando mais drogas, elas estão tomando todos os tipos, e estão tomando elas numa idade jovem, provavelmente só porque estão lá e podem. Mas agora pequenas crianças estão morrendo por engolir pílulas de ecstasy que são deixadas caídas por aí. Com uma libra de distância, ao contrário de quinze, dez anos atrás, não vale a pena se preocupar se uma folha de ácido se desvia e voa para fora do bolso de alguém quando eles puxam para fora seus lencinhos. Esse tipo de coisa nunca aconteceu quando as pílulas estavam em seu devido lugar – na cultura. Agora que elas não estão mais na cultura, mas em todos os lugares, o último método efetivo de controlar elas não existe.

As subculturas proporcionavam uma estrutura, ou ideologia – a mentalidade de ser um “fora da lei” – para a maioria das transgressões da sociedade dominante. Na maior parte do tempo essa era uma postura fantasiosa e inofensiva, na verdade, provavelmente, politicamente conservadora. Foi melhor resumido pelo slogan autodestrutivo: “a revolução começa na hora de fechar.” Entretanto, a pose rebelde, de James Dean a Che Guevara, é uma boa ajuda no produto volátil do mercado jovem. Então, agora, todos estão envolvidos por uma cinta de jornal transgressiva, até o “maverick” americano e todos os heróis de Hollywood, que apenas queriam chutar comunas ou o cú dos árabes para que bons suburbanos possam dormir seguros em suas camas. A ironia é que as genuínas transgressões são menos toleradas do que nunca. Agora também é muitos mais difícil transgredir de maneira significativa, porque é difícil encontrar um grupo para fazer isso em que se pode ter um ponto de referência. Como sociedade, parecemos ser mais socialmente proscritos e monolíticos do que nunca, nossa liberdade cada vez mais co-terminando com nosso poder de compra. As últimas culturas britânicas genuínas foram os ravers e os brigões do futebol, seguindo a longa linha dos bad boys anteriores. Eles também foram os dois cultos juvenis que, sem dúvida, geraram a resposta mais dura do Estado, das operações policiais secretas em torno do futebol para o Projeto de Justiça Criminal.

É mais difícil estar ligado a uma cultura agora, então as crianças geralmente não são. O que elas estão ligadas é no mercado global, o que garante que o mesmo hip hop que está estourando no Brooklin vai ser ouvido em Brixton. Gangs de jovem asiáticos em Bradford não estão interessadas na cultura de seus pais, ou nos “britânicos” ao redor deles. Eles escutam o hip hop e rap dos negros desalojados do centro sul de Los Angeles e Compton. Então que se faça o hippie chic do oeste branco de Londres.

Agora você pode ser punk um dia da semana, um moderninho no outro, brigão no fim de semana. Tudo que você precisa é um cartão de crédito para comprar as roupas e músicas certas. E um maço de dinheiro para as drogas. O que você não vai ter é um bando de almas de mentalidade semelhante na sua própria cena com fervor, vibrando em ser algo diferente, uma coisa a parte. Que era o sentido, ou alternativamente o falso conceito, de ser parte de uma cultura fora da lei. Isso está morto na era Pornô. Então, correr atrás das drogas se tornou vazio, desesperado, mais hedonista e menos social, não parte de alguma coisa. De crianças prodígios até a os negociantes bocas sujas da cidade das “prostitutas”, todos somos consumidores agora. Na era Trainspotting as pessoas que não morreram foram presas ou isoladas, geralmente acabaram por se estabelecer. Eles se tornaram parceiros amorosos, pais obedientes e trabalhadores aplicados. Em sua maior parte deixaram de ser ravers, clubbers, ou marginais do futebol. Mas agora só existem consumidores, e nós nunca deixaremos de ser consumidores. Nós somos constantemente informados do que temos que ter, e temos que ter agora. E nós nunca vamos parar de usar drogas: seja como uma validação da alegria da vida, ou como um meio de escapar de seus horrores. Nós nunca conseguiremos porque nós nunca temos como, a única mudança da Chicago proibicionista dos anos 1930 foi de que o menu ficou mais extenso. Se chama escolha do consumidor. No mundo ocidental nós aceitamos, ainda que relutantemente em alguns casos, que a intoxicação é um direito humano básico. Nós manufaturamos, vendemos, comercializamos e anunciamos produtos especificamente projetados para tirar as pessoas de suas cabeças. Tendo reconhecido, de facto, essa direito, parece tosco o extremo do estado babá especificar qual substância em particular pode ou não pode ser considerada ferramenta legítima para este fim. Principalmente quando o quadro legal que usamos parece ser irremediavelmente irracional, e radicularmente culturalmente tendencioso, e tem pouca relevância para a real questão da evolução das drogas; danos imediatos e a longo prazo para saúde, efeitos na sociedade e potencial de vício.

Embora as drogas sejam, obviamente, perigosas, este fator sozinho dificilmente se faz notar nos nossos vícios modernos. Nós sabemos que os hambúrgueres vendidos nas grandes redes de fast-food são cheias de merda e infectados com alimentação animal doente, do tipo que não deveria ser alimento para ruminantes. Ainda assim nós consumimos largamente eles por causa do seu delicioso sabor, por estarem saturados com aromatizadores químicos de uma fábrica na New Jersey Turnpike. Nós ainda exercemos essa liberdade de escolha negativamente, mesmo que, como sociedade, nós estejamos virando mais gordos e menos saudáveis como resultado. Sabemos que as crianças tornam-se viciadas em alimentos gordurosos, e que isso não vai ser nada gostoso a longo prazo. Ainda assim nós permitimos estes produtos perigosos sejam anunciados, sabendo que muitas crianças irão se tornar obesas e morrerão de doenças do coração numa idade precoce como resultado da ingestão dessas porcarias.

Os modelos primários para o desenvolvimento da globalização são o motor americano de combustão interna, baixo preço do petróleo, auto-estradas, lojas de fast-food e poucas oportunidades educacionais para trabalhadores de serviços de baixo custo (ou salário). E isso em uma sociedade pós-democrática, despolitizada e desespiritualizada, onde uma mídia trivialista e sensacionalista constantemente nos incita a não adiar a gratificação. Tendo isso em mente, parece quase inevitável que o resultado seja mais armas, mais crime e mais do que parecemos querer e precisar de forma insaciável: drogas.

Texto Original | http://www.irvinewelsh.net/journalism/article.asp?id=6&t=Drug-Cultures-in-Trainspotting-and-Porno