The Dark Side of the Rainbow – Charles Savage (1995) [tradução]

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Imagem | Wikipédia CC

O Dark side of the moon do Pink Floyd. A versão do filme O mágico de Oz. Duas peças de imenso sucesso da arte pop que você pensaria serem completamente não relacionáveis. Ainda que existisse uma conexão – não, realmente uma sincronia – entre os dois que escape a qualquer lógica ou compreensão.

Por | Charles Savage

Tradução | Eder Capobianco Antimidia

Por um lapso, momentaneamente, abandone sua razão e suas crenças em um senso de ordem para o universo. (Suspenda, também, sua crença de que nós poderíamos estar fazendo algum uso de drogas.)

Então alugue “O mágico de Oz”, desligue o volume da televisão, coloque o The dark side of the moon do Pink Floyd no seu CD player e aperte o play exatamente no momento em que o leão da MGM rugir pela primeira vez. (Algumas pessoas defendem no terceiro rugido, mas eu acho que no primeiro funcionou melhor para mim.)

O resultado é assombroso. É como se o filme fosse um longa metragem musical para o álbum. As letras das músicas e os títulos combinam com as ações e as falas. A música sobe e desce com os movimentos dos personagens.

Não espere ser surpreendido. Mas espere para ver coincidências contundentes o suficiente para fazer você se perguntar se a coisa toda não foi planejada. E espere para ver muito mais coincidências que seriam marcas definitivas, se outras partes não se encaixassem tão bem.

Se você não esta muito familiarizado com o The dark side of the moon, vai ajudar ter uma folha com as letras. Mas sempre mantenha um olho na TV, para não perder alguma coisa. (Não tente para-continuar-parar; serão três ou quatro segundos que iriam realmente neutralizar os efeitos.)

Metade da diversão dessa maravilha esta em assistir com um grupo de amigos e gritar as correlações que você conectou. Por isso nós não iremos contar todos os detalhes aqui, entretanto, veja pequenos grandes exemplos só para você começar:

  • Durante Breathe, Dorathy caminha como numa corda bamba com a letra “and balanced on the biggest wave”*

      * “e equilibrado sobre a maior onda”

  • A linha “no one told you when to run”*, de Time, é cantada quando a cena muda para Dorothy fugindo de casa para salvar Toto.

      * “ninguém disse para você quando correr”

  • “Home, home again”*, na reprise de Breathe, é cantada quando o cartomante diz para Dorothy ir para casa.

      * “Lar, lar novamente”

  • “Don’t give me that goody good bullshit*”, de Money, começa com Glinda, a bruxa boa do norte, surgindo flutuando como uma bolha.

      * “Não me venha com essa besteira de bom moço”

  • “Black….and blue*” de Us and them é cantada quando a Bruxa malvada do oeste aparece vestida de preto. Logo em seguida vêm “and who knows which is which**” (bruxa é bruxa***) quando ela e Glenda se confrontam.

      * “Preto….e azul”

      ** “e quem sabe qual é qual?”

      *** which, que pode significar qual, e witch, que significa bruxa, tem basicamente a

      mesma pronúncia e escritas bem parecidas.

  • Brain Damage – que começa quase que ao mesmo tempo que If I only had a brain no filme – contém a linha “The lunatic is on the grass*” e “Got to keep the loonies on the path**”. É quando o Espantalho fica pulando como um louco na grama e depois na Estrada de tijolinhos amarelos.

      * “O lunático esta na grama”

      ** “Tenho que manter os malucos no caminho”

As numerosas coincidências líricas entre o filme e o álbum são só uma parte da história. Frequentemente as ações parecem ser coreografadas para as músicas.

Por exemplo, os gemidos cantados em The great gig in the sky estão quase perfeitamente compatíveis com a cena do tornado, subindo como a tempestade, caindo em uma canção de ninar quando Dorathy é nocauteada pela janela, subindo novamente como a casa que gira céu acima, e então caindo de novo como a casa que retorna a terra.

A música começa com a tempestade mágica e termina justamente quando a casa atinge o chão. Dorathy levanta em silêncio, anda pela casa, e na hora que ela abre a porta para revelar a Terra dos Munchkins em Technicolor, os efeitos sonoros da abertura de Money assustam os ouvintes. (Além disso, Money era a primeira música do segundo lado do LP; a Terra dos Munchkins esta abrindo a parte dois do filme.)

E depois há o gancho de direita: o dramático fim do álbum com as batidas do coração tocando com a Dorothy ouvindo o peito vazio do Homem de lata.

É bizarro, estranho. Isso é mais que um pequeno quebra-cabeças.

Não há razões óbvias do por que um clássico álbum de Rock, gravado em 1973, seria remotamente ligado ao filme de 1939, que é baseado numa história de L. Frank Baum.

Afinal, é difícil imaginar Roger Waters, Dave Gilmour & Co. meticulosamente escrevendo suas músicas no tempo do filme. É ainda mais difícil de imaginar que uma banda com truques tão pensados (eles prenderam uma luz de LED na capa do seu último CD lançado, Pulse, por exemplo) iria ficar quieta 22 anos se tivesse feito isso propositalmente. E, pelo menos por enquanto, ninguém esta falando. Diversas ligações, e fax, requisitando o representante do Pink Floyd na Columbia Records, não foram respondidas.

Uma fonte menos por dentro, Fred Meyer, secretário do Clube Internacional do Mágico de Oz, disse isso: “O que? Eu não sei nada sobre isso.” Ele acrescentou que nunca tinha ouvido falar de Pink Floyd antes.

Tudo faz com que a origem da sincronia fique envolta em um mistério. Por que alguém iria tocar, randomicamente, o álbum junto com o filme, sincronizado com o rugido do leão da MGM?

Em abril (1995) alguém postou sobre isso no grupo de notícias do Pink Floyd na internet, dizendo que ele ou ela tinha ouvido isso de “algumas pessoas em Los Angeles”. Muitos usuários disseram para o autor do post voltar para suas drogas. Uma recente postagen no grupo alt.music.pink-floyd pede por ajuda no mistério produzido, sem nenhuma pista da origem dessa estranheza.

No final, a sincronização foi intencional ou uma coincidência cósmica – um musical equivalente ao efeito da teoria de que “infinitos macacos, em infinitas máquinas de escrever, eventualmente, podem produzir a obra completa de Shakespeare”.

Talvez tudo isso signifique que quando todo mundo sob o sol esta em sintonia, incluindo dois pedaços de entretenimento art cult, aparentemente completamente separados por tempo e gênero, isso pode ser tão estranho quanto quando o sol sofre um eclipse pela lua.

Texto original

http://web.archive.org/web/20060422200308/http://members.aol.com/rbsavage/floydwizard.html

O mito do The dark side of the moon sincronizado com o Mágico de Oz

Ninguém consegue dizer quando a lenda surgiu (ou quem foi o visionário que, originalmente, teria sincronizado The dark side of the moon com O mágico de OZ, proposital ou incidentalmente, e o por que). O primeiro a falar sobre o assunto, de forma a gerar uma repercussão em massa, foi este artigo (traduzido), escrito por Charles Savage, publicado dia 1° de agosto de 1995, nas páginas do Fort Wayne Journal Gazette, em Indiana, nos Estados Unidos. Desde então o mistério entre as coincidências, ou não, do filme sincronizado com o disco ecoam por todos os refúgios onde o rock’n roll resiste.

No começo banda, gravadora, e qualquer um que podia, por qualquer motivo que fosse, estar envolvido com a tramóia se manifestou. Depois de um tempo todos negavam veementemente que a relação teria sido intencional, alegando que ela simplesmente não existe e quem fez esta sobreposição não tinha nada melhor para fazer. Apesar disso o álbum Pulse, gravado em 1994 e lançado em 1995, que é a performance do The dark side of the moon ao vivo e na íntegra, com mais alguns outros hits da banda, faz algumas referências ao Mágico de Oz.

Assista o filme com o álbum sincronizado e acredite no que quiser.

Fonte | Wikipedia

 

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