O amor eterno [conto]

Imagem | Antimidia

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Três anos depois de entrar para faculdade de arquitetura Camila já sabia que poderia ser muitas coisas na vida, mas não arquiteta. Sentada em cima da mesa do Dr. Fernandes, com uma taça de vinho e a perna aberta, ela nem queria. Ele dispensou o copo de wiskey e posicionou sua cadeira de modo a não precisar abaixar muito para se enfiar em baixo do vestido de colegial dela. Em uns doze minutos ela tinha acabado com o serviço e em mais dez estava descendo o elevador do Business Money Tower. Passando pelo lobby perguntou para o Seu Antenor, só para ter assunto, “alguém mais me procurou?” Apenas o fato de ele responder mais que uma palavra já a preocupou. “Doutor? Não, mas hoje mais cedo veio um cara dizendo que era policial perguntando de alguém com o seu nome e muito parecida com a Senhorita.” “E o que você respondeu?” “Que não, mas ele disse que voltava.” “Obrigado querido, você é um amor. Se ele voltar de novo você me avisa, tá?” Ela pediu dando um beijo no rosto dele e comprimindo seus peitos na cara dele.

Sempre que estava com o pé rua ela olhava para todos os lados para tentar se certificar que ele não estava atrás dela. Paulo estava esperando na entrada do flat, sob o olhar atento e preocupado do porteiro. “Vamos conversar?” “Nós já falamos tudo que tínhamos para falar. Por favor Paulo, vá viver a sua vida.” “Minha vida é com você. Isso não esta certo!” Com a ordem de segurança nas mãos, que dizia que ele não podia se aproximar mais que 50m dela, Camila advertiu em tom sério: “Se você não sair da frente do prédio eu vou chamar a polícia.” “Não adianta Dona Camila. Ele fica sentado ali na curva olhando.” Interveio Manuel do alto falante ao lado do portão. “Vai cuidar da sua vida porteiro de bosta!” “SOME DA MINHA VIDA!” Ela parou na portaria nervosa e falou para o porteiro: “Se ele estiver a menos de 50m da entrada do prédio chama e polícia e mostra isso para eles.” Ele pegou o papel e foi até o portão. “Ei, camarada, acho que você não vai conseguir mais nada aqui. Procura um bar longe daqui e enche a cara. Amanhã quando você acordar só segue em frente.” Ele saiu agitando o papel. Paulo andou uns metros na calçada, subiu numa árvore e começou a rezar. Ficava observando todos que entravam no prédio. Na sua cabeça os homens eram todos clientes de Camila, menos os gays, e as mulheres eram todas garotas de programa.

Sem ter tempo a perder ela arrumou o apartamento e acendeu uns incensos. Construiu um ninho de amor na banheira com espuma, umas toalhas dobradas e pétalas de rosa. Colocou pilha no vibrador e deixou ele a mão junto com outros brinquedinhos. Pouco depois de terminar de se maquiar o interfone tocou. “Dona Camila? Posso deixar o Senhor Marcos subir?” “Sim Manu, obrigada.” “Olha, aquele outro esta em cima de uma árvore aqui do lado do portão dos carros. Já chamei a polícia mas eles não vieram. A Senhora quer que eu te ajude a resolver isso? Ele não vai mais querer chegar perto da Senhora.” Ela negou a oferta da surra e esperou a campainha tocar na frente da porta. Quando Marcos entrou ela já estava de cinta-liga e pronta para atacar. Ele tirou a roupa e foi para cima dela com tamanho apetite que não conseguiu chegar até o ninho de amor do banheiro. Só precisou do vibrador que Camila foi buscar com entusiasmo quando solicitado por ele. Ela prendeu uma cinta na cintura, encaixou o troço e fodeu ele com força. Ele se divertiu tanto que até se ofereceu para pagar uma pizza e bater o papo por metade do preço da hora. Ela topou e os dois só não dormiram porque Marcos tinha que ir buscar o filho na escola de inglês. Depois de dois clientes e um barraco Camila dormiu assistindo o jornal.

Quando acordou de manhã estava preocupada com Paulo. Interfonou para portaria e perguntou para o Jonas, porteiro do diurno, se ele ainda estava na árvore. “Acho que não Dona Camila.” Ela tentou falar com a irmã dele para ajudar ele a seguir com a vida, mas ela não atendia mais as ligações desde que Camila pediu a ordem de segurança. Um tanto quanto insegura ela continuava tentando ajeitar a vida. A jornada ia ser tripla, sendo que só o último cliente ela atenderia em sua casa. O primeiro era um político do sul que gosta de transar minutos antes de reuniões importantes. Como ele tinha uma destas ela ia encontrar ele num hotel perto do centro de convenções. Depois almoçaria com uma amiga no shopping e iria para o consultório de um dentista na zona sul, para no fim da tarde encontrar o Marcos no flat. Não dava um passo sem tentar olhar para todas as direções em busca de Paulo. Era difícil se convencer de que ele não a estava seguindo.

No caminho para o centro de convenções recebeu uma mensagem adiando o encontro. O prefeito tinha solicitado uma reunião e a diversão ia ter que ficar para outro dia, por que no fim da tarde a agenda de Camila já estava cheia. Com tudo, o almoço com Karen ganhou um pouco mais de tempo e as duas ficaram batendo perna no shopping. “Estou pensando em sair do flat e comprar um apartamento na zona sul. Quero independência do Marcos.” “Cuidado amiga, você já tem um ex louco atrás de você. Te disse para não aceitar dinheiro do Marcos sem sexo. Ele esta apaixonado por você.” “É diferente. O Paulo foi meu primeiro namorado, e eu a primeira namorada dele. Perdemos a virgindade juntos, ficamos dez anos juntos. O Marcos é casado, tem filhos, família. O que ele gosta em mim é outra coisa, e vou continuar dando, ou ele vai continuar.” As duas riram alto e todo mundo olhou. Vendo toda aquela felicidade Paulo não se controlou. Apareceu repentinamente detrás de uma pilastra e acertou dois tiros em Camila. Depois caiu ao seu lado e pediu desculpas antes de atirar contra a própria cabeça.

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