Homem é morto em tentativa de assalto [conto]

Dupla roubava carros em esquina da zona oeste; suspeitos também morreram em troca de tiros com a polícia.

Imagem | Antimidia

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Dois homens pardos são suspeitos de assassinar o eletricista mecânico Rodolfo Amaral Barbosa, 31, no intento de roubar o seu carro. O latrocínio teria ocorrido na tarde do domingo de Páscoa, quando a vítima estava voltando para casa pela Av. Francisco Morato, próximo ao estádio do Morumbi. Os jovens C. A. M. (22) e R. D. A. (21) teriam o atingido com um tiro antes que ele pudesse sair do veículo e fugido logo em seguida. O eletricista teria, supostamente, sido abordado por dois homens pardos enquanto estava parado no semáforo na esquina da Av. João Jorge Saad.

Vou tentar contar tudo como aconteceu para o Senhor desde o começo. “Estou aqui para te ouvir e te ajudar.” Sabe, a Camilinha queria um ovo de Páscoa. Camilinha é minha filha. “Certo.” Então, ela queria um ovo de Páscoa e eu não tinha o dinheiro para comprar. “E saiu e foi roubar e matar uma pai de família para comprar um ovo de Páscoa?” Não, não….eu fui no Largo da Batata procurar um bico……..fazer um dinheiro……carregando umas caixas ou pegando latinha. “No feriado?” Não sabia que era feriado! Sou guerreiro! Para mim é tudo segunda-feira!” “Certo.” Mas como o Senhor disse, era feriado, então não tinha trabalho. “E você foi roubar e matar um pai de família porque era feriado!?” Não, não….eu estava voltando para casa e ia tentar pedir dinheiro empresado para alguém vizinho. Aí eu vi o Maicon descendo do ônibus e fui falar com ele….ele me arruma trabalho de vez em quando… “Roubar e matar é trabalho?! Não, não……ele descarrega caminhão lá na 25 de março. “Você não se envolve com gente de bem? Trabalha para O Shing-Ling? Esta metido nisso também?” Não, não……é só brinquedo para as lojas lá. “E vocês saíram e foram roubar e matar uma pai de família para conseguir dinheiro? Não, não, não…..ele estava indo descarregar uns caminhões mas eu disse para ele que era feriado, e ele também não sabia e precisava do dinheiro, então a fomos pegar latinha.

Minutos depois dois suspeitos foram avistados e perseguidos por uma viatura policial na Av. Giovanni Gronchi. Numa nova fuga, que culminou numa intensa troca de tiros com os policiais, um dos supostos criminosos, C. A. M., foi atingido no peito e morreu a caminho do hospital. O outro suposto criminoso, R. D. A., foi preso e deve ser interrogado ainda nesta quarta-feira (12). O caso foi registrado na 34ª Delegacia de Polícia do Butantã, e o Delegado Murilo Pontes acredita que eles podem estar envolvidos em outros assaltos e assassinatos na zona oeste.

“E você achou a arma?” Isso mesmo Senhor. A gente tava revirando a lixeira ali na passarela da ponto Eusébio Matoso e achei o revolver lá no fundo. “Então vocês pensaram que poderiam sair por aí roubando e atirando em todo mundo?” Não, não, não….a gente ia levar ela para vender. Paga mais que latinha. “…” No caminho a gente começou a mendigar no semáforo, até que chegou este carro. “E vocês dois foram assaltar ele?” Não, não, não….o cara do carro achou que a gente ia assaltar ele porque viu a arma na minha cintura a hora que eu levantei o braço. “Aí você sacou a arma e atirou nele?” Não, não, não….ele começou a chorar e disse que ia sair do carro…aí eu disse que não era um assalto, mas ele disse que ia pegar a chave no casaco e eu achei que era um truque, que ele era policial. “Como assim?” Policial que anda com a arma dentro do casaco, e o Senhor sabe como é. Policial com um carrão como aquele ou é coronel ou matador. “Mas não era um policial.” Não era. Mas como eu vou saber? Com dizia o prefeito: atira antes e pergunta depois. “Então você atirou nele porque pensou que ele era policial?” Não, não, não….achei que ele fosse tirar uma arma de dentro do paletó. E quem guarda a arma dentro do paletó é policial. Mas não atirei nele porque ele era policial. “Então porque atirou nele?” Porque eu achei que ele ia atirar em mim, eu ia apontar a arma para ele. Então quando ele colocou a mão no bolso…. “….você sacou a arma e atirou nele” “Não, não, não……eu peguei a arma só para assustar ele, mas ela disparou. Foi sem querer, mas atirei nele. “E depois vocês fugiram?” E a gente ia fazer o que? Foi tudo um mal entendido.

A cena do crime foi isolada e o trânsito impedido na região, causando transtornos para os que passavam no local. Uma funcionária de um supermercado próximo ao ocorrido relatou que os dois meliantes (sic) estavam assaltando carros na dita esquina pelo menos meia hora antes do crime. Segundo o Delegado Pontes a polícia procura outras supostas vítimas. “Estamos localizando outros cidadãos que possam reconhecer os suspeitos.” Os dois suspeitos já tem antecedentes criminais por pequenos furtos. Rodolfo Amaral Barbosa será enterrado no cemitério da paz e deixa mulher e três filhos. A família agradece ao apoio de todos. “Esperamos que a justiça seja feita”, disse a esposa Amanda Barbosa.

O que eu faço agora Senhor? “Se arrependa, pois quem crê em mim ainda que esteja morto viverá.”

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