Fatos Cotidianos 5 – Promiscuidades [conto]

Sexo é a melhor moeda de troca do mundo. Tudo gira em torno de uma boa trepada. Se você transa com sua chefe uma vez, vira o queridinho. Se o ato se consuma novamente, recebe um aumento. E se acontece com freqüência, tipo duas vezes por semana, lindo! Você vai ser promovido.

Adauto descobriu isso cedo, com 14 anos comia a diretora da escola para passar de ano. Garoto franzino, poucos pelos, moreno, olhar inocente e uma piroca de respeito. Mas ele tinha uma especialidade, ele traçava uma bundinha como ninguém. Seus vinte e poucos por seis e alguma coisa faziam a festa da mulherada da Jaquituva.

Seu maior problema eram os cornos. Com 18 anos tinha tal fama entre as mulheres da cidade que metade dos homens queria matá-lo. Com medo de perder o seu maior patrimônio, literalmente, ele se mudou para cidade grande. Começou a trabalhar como cobrador de ônibus, em uma linha que ligava o subúrbio a um bairro nobre. Resultado: virou o terror das empregadas domésticas.

Sua reputação era tão conhecida que todas esperavam seu ônibus para ir ao trabalho. Era uma disputa a tapa para ver quem ia ficar do lado de Adauto na catraca. Elas ficavam alisando o seu “documento” a viajem inteira. Às vezes se revezavam, Adauto não gostava de brigas por causa dele, então bradava: “calma que tem pra todo mundo!”. Ao lado do ponto final tinha um boteco, e ele sempre escolhia uma para acompanhá-lo ao banheiro. Eram três, quatro, às vezes cinco por dia.

Depois de algum tempo ele recebeu uma proposta inusitada. Um de seus gadinhos tinha falado dele para sua patroa, que havia se interessado muito pelo assunto. Helena era casada com um executivo, que quando muito dava uma no domingo depois do jogo. Seu desempenho variava de acordo com o resultado da partida. Vendo sua empregada chegar feliz da vida todo dia às sete da manhã, depois de duas horas de trânsito e aperto, para lavar o chão e a cueca borrada do futuro corno, quis saber de onde vinha tanta empolgação. Assim descobriu Adauto.

Então na manhã de uma quarta-feira ele bateu no apartamento 34 do edifício Morada do Prazer. A empregadinha abriu a porta e pediu que ele esperasse na cozinha. Já com vinte e poucos anos, e conhecedor de seus dotes, ele já sabia do que se tratava. Depois de tirar uma casquinha de Adauto (ela estava com medo de perder ele para a patroa, então mostrou para ele que era a melhor boca do pedaço) ela o conduziu para o quarto de Helena, que o esperava com uma camisola transparente de cetim, impaciente na cama.

Apesar de seus quarenta anos, Helena tinha tudo em cima, e um apetite impressionante. Seus seios eram fartos, tinha uma grande boca, um olhar sacana e sua bunda era digna de uma garotinha com a metade de sua idade. Sua bucetinha era algo surreal. Suas cochas eram bem torneadas, e não encostavam uma na outra quando ela estava de pé. No vão livre que se formava ficavam aqueles grandes lábios carnudos, que tinham a aspereza desejada por qualquer homem. Seu volume era de encher a mão, seus pelinhos ralos acariciavam o rosto. Seus músculos vaginais se contraiam com uma força surpreendente. Era a mulher de 40 que todo marido queria ter, menos o velho e gordo Diego.

A primeira impressão que teve de Adauto foi de que ele era um cara normal, como qualquer outro. Não viu nada que a atraísse. Se cruzasse com ele na rua muito provavelmente ela desviaria. Meio perdido com a situação, ele ficou parado e esperou. Ela levantou e caminhou vagarosamente, fazendo caras e bocas, em sua direção. Ela foi chegando perto, deu uma volta por ele e falou quase dentro de sua orelha: “vamos ao que interessa”. Então o abraçou por trás e agarrou sua piroca, que já estava latejando.

Adauto a puxou, comprimiu-a contra seu corpo e deu-lhe um beijo, já alisando tudo que conseguia. No fundo sabia que esta era sua grande chance de se dar bem. Ela arrancou a roupa dele rapidamente, jogou-a na cama, e quando ele ia começar ela parou e se levantou. Adauto não dizia uma só palavra, só observava. Ela foi até a janela, a abriu, e se apoiou nela. O prédio dava de frente para uma rua, com diversos outros edifícios. Um número irrestrito de pessoas podia ver aquela janela. Ela arrebitou a bundinha, virou para Adauto e com um olhar deu a ordem. Ele chegou por trás, e bem devagarzinho foi lhe mostrando o motivo de sua fama.

Ela gemia procurando alguém que os observasse. Um garoto do quarto andar do prédio do outro lado da rua olhava tudo atentamente. Ela fazia caras e bocas para ele. Em poucos minutos pelo menos dez janelas estavam vidradas no 34 da Morada do Prazer. Um mais tarado tirou o pau pra fora e bateu uma punheta olhando a cena. Acidentalmente algo respingou no velho senhor que estava dois andares a baixo. Ele estava tão hipnotizado e nem notou. Voltaram para a cama, onde ela fez o que quis com Adauto. Em cima, em baixo, de lado, com a boca, com a mão, com os peitos, até deixá-lo exausto.

Pararam pouco antes do meio dia, perto do horário da pequena Carla chegar da escola. Ela falou que queria Adauto a todo momento, mas jamais largaria a boa vida por causa dele. Nem ele a queria sem a boa vida dela. O apartamento não tinha jardim, então ele não podia ser jardineiro, não tinha piscina, então ele não podia ser o limpador. Foi então que a grande idéia surgiu, ele seria o cozinheiro. E, permitam-me o trocadilho, ele era um excelente cuzinheiro.

Assim ele foi contratado por ela para trabalhar de domingo a domingo. Mas Adauto mal sabia fazer ovos fritos. A solução era comprar comida em um bom restaurante da cidade e dar os méritos para o novo empregado da casa. Em questão de poucos dias, quase horas, a fama da janela se espalhou. O bairro todo esperava ansiosamente pelo momento em que ela se abrisse.

No meio disso tudo estava o corno, que em seis meses não tinha nem sequer sonhado com o que se passava. Pelo contrário, não se cansava de elogiar os pratos do novo chef da casa. Organiza almoços no domingo e apresentava com orgulho seu empregado para seus colegas de trabalho. Enquanto isso Helena apresentava Adauto como o homem perfeito para todas as esposas dos amigos gordos e fedidos de seu marido. Assim ele começou a subir a “escada corporativa”.

Às vezes ela emprestava Adauto para uma amiga, para outra, as chamava para um chá com Adauto pela manhã. Em um tempo recorde ele tinha uma legião de fãs e a diretoria de uma multinacional inteira, do mais simples acionista ao presidente da empresa, era formada por cornos mansos. A coisa começou a ficar muito descarada, as mulheres se revezavam na janela. Então uma de suas amigas resolveu tomar uma atitude. Juntas abriram um restaurante para Adauto. Contrataram o cozinheiro do restaurante da onde vinham as maravilhas que ele preparava e no fundo da casa construíram um suíte, apelidada por elas de Cuzinha. Lá passavam o dia. Café, almoço e janta. Nunca ninguém desconfiou de nada, e hoje o restaurante é aclamado como um dos melhores da cidade. Os empresários cornos são os donos, e como lucram com tudo, vivem rindo nas grandes mesas regadas a muito vinho. Eles chegam em casa e muito raramente raspam o tacho do que Adauto deixou, suas mulheres não reclamam de mais nada e, acreditam eles, trabalham para manter o restaurante sempre cheio.

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