Muito mais que uma semana [resenha]

Havia muita expectativa. Quem vai tocar? Como vai ser? Vai chover? Tudo aconteceu, e nada atrapalhou. Entre os dias 14 e 19 de outubro não havia força que poderia impedir a arte de se apropriar do Câmpus da Unesp de Assis. Quando o La Poupa subiu no palco do som do meio-dia no R.U. todos puderam sentir que alguma coisa diferente estava acontecendo. Era a VII Semana de Liberdade Criativa começando. Com a decoração nas árvores, os malabares, oficinas, apresentações, shows e toda forma de expressão artística que somos capazes de produzir.

Durante as tardes a interação com as oficinas foram agradáveis surpresas. Como na de Nanquim Raspado com um grupo da terceira idade ou o resultado da estufa e permacultura no Buracanã. Os momentos do Pic Nic, no vão do Prédio de Letras, são indiscritíveis. Tudo estava interligado: feira de trocas solidárias, tricô, dread, filtros dos sonhos, abacaxi, melancia, bolo, biscoito. Estava chovendo, mais o som da Luísa & Andressa, e depois os chilenos, tornaram isso um detalhe imperceptível. Não há como negar que o Cine Tertúlia acertou em cheio com o Dião do Tarantino. A chuva só tornou o D.A. mais aconchegante para o noitão nacional.

Impressionante é a palavra que define as apresentações no salão de atos. Ficou estampado na loucura criativa do Assim dançou Zaratrusta. Estava muito claro na técnica do Danilo no violão. Vini + Luiz Gonzaga = Incrível! Era evidente no sabor da melodia do Piano Doce. Assustador na sonorização de Cão Andaluz pelo Kuarteto Mococa. Suave na leveza das bailarinas da dança clássica, contemporânea e jazz. A novidade dos Ciclanos TXAI. Quem podia prever as surpresas da encenação da Aimée e do Marco?

Não tinha como saber que Festival da Transgressão ia ser tão contagiante. Que o Bosque de História pode ser o melhor lugar do mundo para sentar com a galera, curtir uma música legal, dar risada e encontrar as pessoas mais interessantes da Terra! Sobre o Festival da Transcendência. O que falar sobre o Festival da Transcendência? Incrível? Fascinante? Tudo junto? Não sei. Como descrever a sensação de pular feito louco em Balada Niilista com o Vamo Vovó Big Band? Não basta sentir todo experimentalismo no Sarau Militante, tem que viver toda história do Regional Matulão. Sentir o calor dos malabares com fogo e dividir toda esta energia com milhares de pessoas.

A VII Semana de Liberdade Criativa foi a Karen e a Nat se reencontrarem num abraço apertado e cheio de saudade. O Donha reencontrando a galera com uma animação surreal. As crianças aprendendo malabares no Festival da Transcendência. Ver a Débora ensinando tricô para os garotos. Aprender sobre permacultura com o Espanta. Curtir a galera do Papoula e do Boga Fire mandando som no ponto de ônibus. Ficar de olho no doutor com o Loko na Boa. Almoçar com o Sidnei fazendo a trilha sonora. Jogar coisas para o alto dia inteiro com o Pedro, a Fran, o Pelado, a Carla, o Hugo, o Marcos e os malabaristas do R.U. Teve alguns problemas e imprevistos também. Mas quem quer saber deles? Foi uma semana em que ser feliz pareceu mais fácil.

Como tudo começou

Em 2007 uma greve uniu alunos da USP, Unicamp e Unesp em torno da manutenção da autonomia das universidades publicas. A Unesp de Assis aderiu ao movimento, e a faculdade foi ocupada pelo discentes. Entre discussões, assembléias e reuniões surgiu um grupo que questionou o uso do espaço publico e a falta de um evento cultural organizado somente pelos alunos na faculdade. Neste contesto nasceu a Semana de Liberdade Criativa.

A proposta era abrir caminho para que todos que faziam algum tipo de arte pudessem apresentar seu trabalho se utilizando do espaço publico que é a faculdade. Neste aspecto a Semana de Liberdade Criativa não é um evento só para artistas. Ela é também um espaço para pessoas que produzem de forma independente e sem recursos. Para participar da Semana de Liberdade Criativa não é necessário ser um guitarrista nato ou especialista no que quer que seja. Ser bom não é pré-requisito. O experimentalismo é livre e a liberdade de criação necessária.

Na III Semana de Liberdade Criativa o grupo organizador passou a se denominar Coletivo Espontaneísta. As parcerias com a direção e os funcionários se intensificaram, até o ponto em que a Semana se tornou um grande festival de cultura. Ao longo dos anos buscou-se criar uma agenda para atender toda demanda que vem das fichas de inscrições, e uma base organizacional que garantisse a longevidade do evento. Todo começo de ano alunos se juntam para organizar a Semana de Liberdade Criativa, e formar um novo Coletivo Espontaneísta. Existe um processo de renovação inevitável.

Para receber dezenas de oficinas, bandas e exposições é preciso uma estrutura razoável. Esta estrutura compreende bons equipamentos e um bom palco para o festival da transcendência, material adequado para os oficineiros ministrarem suas oficinas, a exibição das mais variadas artes em exposições, espaço para bandas no som do meio-dia e ponto de ônibus, espaço para teatro, dança e, não menos importante, público para assistir, participar e interagir com tudo isso. Esta é a contra-partida que o Coletivo Espontaneísta oferece a todos que de alguma forma colaboram com a realização da Semana de Liberdade Criativa. Não é emitido nenhum tipo de certificado ou compensação financeira para ninguém. Deste modo procura-se garantir que nenhum interesse se sobreponha a arte, ao menos por uma semana.

Ficha Técnica | VII Semana de Liberdade Criativa

Data | 14 a 19 de outubro de 2013

Cidade | Assis/SP

Local | Unesp

Arte | Cinema, teatro, música, literatura, fotografia e pintura

Site | http://www.semanadeliberdadecriativa.blogspot.com

Próxima Semana de Liberdade Criativa | 2º Semestre de 2014

* Não posso escrever um artigo como este sem deixar de citar minha parcela de responsabilidade nisso. Desde a III Semana de Liberdade Criativa (2009) colaboro de alguma forma para que ela ocorra.

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