Psicodália do Fim do Mundo! [resenha]

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Durante seis dias foi possível sentir uma energia cósmica diferenciada sendo transmitida da Fazenda Evaristo em Rio Negrinho-SC. Existe quem acredite (e não são poucos) que é impossível realizar um festival de cultura* Rock’n Roll sem problemas, com bandas nacionais, tocando musica própria (boa!). Estes não conhecem o Psicodália. Nestes dias de festival acontecem algumas coisas estranhas, tipo, as pessoas se entendem. A palavra coletivo realmente faz algum sentido. Fumantes jogam as bitucas em bituqueiras espalhadas estrategicamente. O sistema de coleta seletiva funciona: orgânico com orgânico, lata com lata.

*Cultura neste caso se justifica por que não existe apenas uma programação musical. O enorme espaço recebe oficineiros, interventores, cinema, atores, teatro, poesia e muito mais do que se possa imaginar. It’s Rock`n Roll baby!

Choveu! Forte! Muito! Mas a maioria não percebeu, ou não se importou. Sim, o palco Psicodália chegou num estado crítico. E daí? O lamaçal não impediu que o Psicodália em massa se apertasse no limite para ver o Mutantes. A chuva não parou como Alceu Valença previu, enquanto cerca de três mil pessoas dançavam um único ritmo. O Papai Noel do Doce Hermeto Pascoal falou para uma multidão que ria perplexa afundada no barro. Tudo era “du caralho” e harmônico com o Blues Etílicos no palco. Ninguém interpretou nada no Confraria da Costa, todo mundo é daquele jeito mesmo. O vocalista palhaço maluco surtado da Bandinha Di Da Dó arrumou uma escada para saltar num mosh e nadar nos braços da galera. Hard Rock de verdade com Cadillac Dinossauros. Rock’n Roll violento do Rinocerontes fez a mistura de água com barro voar por todos os lados. Não tinha tempo para pensar nos detalhes como chuva e lama.

Os nomes podiam ser uma novidade para alguns, que conheciam as músicas pela Rádio Kombi. Depois no Palco do Sol viam ao vivo a galera do Dingo Bells surpreender com um Hard Rock muito loco. Do Recife veio o Quarto Astral com uma vibração psicodélica alucinante. Teve a loucura caipira do Xispa Divina. Os surpreendentes Cabeçote e Black Cherry. Vocal feminino afinado e gritado do Velho Bandido. No Saloon ficava o Palco dos Guerreiros, e teve sorte quem presenciou e lembra da orquestra alemã de nome desconhecido (por mim). No Palco Teatro do nada um cara começou a recitar Bukowski. Um outro lembrou de Paulo Leminski. Sim, sim, sim, tudo isso aconteceu! Você estava parado, esperando um show começar e alguém aparecia com uma intervenção de dança, teatro, clown, bambolê, ou qualquer outra coisa legal!

A programação tinha inicio todas as manhãs, as 9h30, com uma sessão de desenho animado no Saloon e terminava simbolicamente na manhã seguinte com outros desenhos. Estes não estavam apenas no projetor. Teve também uma oficina de desenho de nu artístico. O dia começava com meditação e mantra, além de Yoga ou tecido acrobático. Escolhas nunca são fáceis, mas dormir é para quem tem tempo, ou quer. Os campings tinham espaço para todas as barracas e mais algumas. Nada apertado. A lei do bom senso imperou durante cinco noites, o que não impediu ninguém de mandar um som de improviso nas instalações de palco de uma barraca equipada com baixo, guitarra, caixas de som e bateria. Puxaram a força de um poste e pau na máquina. Estava tudo acontecendo!

Havia algo a se comemorar ali, além da energia positiva em alta concentração. A passagem de ano teve seu ápice na meia noite do dia 31. Mas a data era só uma desculpa para estarmos todos ali ao mesmo tempo. O verdadeiro motivo era conhecer pessoas novas, gente interessante, que vale a pena. Tinha de monte lá! Estar em contato com a arte do nosso tempo, ver o melhor do Rock’n Roll nacional, viver uma experiência exitante. Conseguimos! Quando chegou o temido dia 02 de janeiro, o fim, the end, as despedidas foram felizes. As pessoas se abraçavam, sorrindo, sabendo que se veriam em breve, no carnaval de 2014.

Ficha Técnica | Festival Psicodália do Fim do Mundo 2012/13

Data | 28 de dezembro de 2012 à 02 de janeiro de 2013

Cidade | Rio Negrinho-SC

Local | Fazenda Evaristo

Público | + ou – 3.000 pessoas (número não oficial e estimativa minha)

Arte | Cinema, teatro, música, literatura, fotografia e pintura

Principais bandas | Mutantes, Hermeto Pascoal, Blues Etílico, Alceu Valença, Confraria da Costa, Rinocerontes, Bandinha Di Da Dó

Site | http://www.psicodalia.mus.br

Preços (na hora) | Meia Entrada: 300,00 / Inteira: 350,00

Próximo Psicodália | Carnaval 2014

Ainda a tempo | Um elogio à organização do festival e a todos que trabalharam durante o evento. Os monitores estavam sempre prontos a ajudar e resolver os problemas. Bem informados! A limpeza dos banheiros e vestiários periodicamente e surpreendente. Banheiros limpos, com água quente, papel higiênico! Assessoria de imprensa ativa. Os preços populares dos comes e bebes com praça de alimentação funcionando sem parar 24h por dia! E por fim um público de comportamento exemplar. Todo em prol de um bem comum, o Psicodália!

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