Começou o fim! [conto]

O cenário é de explosões. Estava tudo queimando. Barulho de bomba, gente gritando, desespero, tudo misturado. Neb ainda estava vivo. Nos últimos dez segundos incontáveis vidas sumiram. A dele ainda não foi uma delas. Sabe-se lá por que seu prédio ainda não foi atingido. Ele olha tudo pela janela e desespero, medo, angustia se escancaram na sua cara, brilham no seu olho.

Quase como instinto saltou pela janela do segundo andar. Foram três metros até a cobertura da garagem. Um quique e mais dois metros até o chão. Depois correr no sentido oposto ao lado que parece que não existe mais, na direção do que ainda esta sendo destruído. Os sons se misturaram e agora tudo se resume a um ininterrupto e agudo zunido. A visão já não representa a realidade. Esta esquentando. Da onde veio isso? Para onde vai? Os esgotos! Neb pensou que poderia se esconder nos esgotos e entender o que estava acontecendo.

Ele não era o único que corria pelas galerias sem saber para onde ia. Como a temperatura não parava de subir ir para onde parecia soprar um ar menos quente foi a segunda coisas que passou pela sua cabeça depois da idéia de entrar no boeiro. Depois de alguns minutos correndo, virando para lá e para cá, começou a sentir que estava conseguindo fugir do que quer que fosse. Seus ouvidos distinguiam melhor o que acontecia a sua volta. Podia escutar seus passos rápidos na água. Estouros e gritos estavam no fundo. Olhou para trás e não viu nada. De repente estava muito escuro, quente. Então o chão sumiu. Ele caiu e apagou.

Quando Neb acordou percebeu um estranho silêncio. Levantou. Estava zonzo. Olhou para cima e percebeu que tinha caído uns quatro metros. Sentiu o braço quebrado e improvisou algo para imobiliza-lo. O calor ainda era intenso e o silêncio começava a se tornar assustador conforme ele chegava perto de uma saída. O mundo estava escuro e com muita fumaça. Estava fora da cidade, e conseguia ver chamas e sentir o calor do fogo. Pensou que poderia estar surdo e procurou sangue nos ouvidos, mas não era o caso.

Partiu na direção da cidade. O mormaço aumentava a cada passo. Depois de andar cerca de um quilômetro começou a ouvir um barulho que diria ser de máquinas trabalhando, mesmo assim o som era muito sútil, não conseguia ter certeza. Ainda não tinha avistado ninguém, nem corpos. Ninguém tinha conseguido chegar até lá. Queria gritar por alguém, sua expressão era de dor e dúvida. Quando teve certeza que os sons eram de máquinas deteve o passo. Nada de explosões, só máquinas trabalhando. Não havia resistência. Não havia guerra. Se o objetivo de tudo aquilo era a aniquilação da cidade, tinha sido conquistado.

Neb estava sem rumo. Depois de um segundo parado concluiu que podia estar acontecendo uma invasão alienígena ou a revolução das máquinas ou alguém apertou o botão errado. De alguma forma tudo acabou. Não cogitava uma catástrofe natural ou guerra. Voltou para o esgoto. Estava disposto a ir até a cidade, por baixo. Perdido entre as galerias começou a esbarrar nos primeiros corpos. Uns mutilados, outros furados. De fato alguma coisa tinha passado ali e feito isso. Pela sua cabeça passavam várias formas diferentes de como podia morrer. Começou o apocalipse!

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