Vida universitária [conto]

Sábado a tarde. Nada para fazer (considerando estudar nada). São quatro pessoas na casa, duas garotas, dois garotos. Um olha para o outro e pensa: “Vamos rachar duas cervejas?” Claro que sim! Então encontram mais um casal de conhecidos no mercadinho vizinho. Umas cervejas tornam-se pelo menos uma dezena. No caminho alguém lembra de outro alguém, que sugere pegar uma carne para um churrasquinho. Tudo armado. Assim começa a festa na República da Alegria!

Lá sempre rola Raul Seixas, nada muito alternativo. Ainda bem! O que o toca mesmo é o celular. Somam-se mais três ou quatro pessoas ao role. Eram pouco mais de cinco da tarde e duas cervejas. São seis horas, a música esta alta, a geladeira forrada de garrafas, carne na brasa e dez pessoas rindo a tôa. A isso, no fantástico mundo dos universitários, damos o nome de cervejada. O boato vai se espalhando. A partir daí a galera aparece como formiga no açúcar.

Não da para entender como a coisa cresce. Seria um bom tema de estudo como este tipo de informação corre mais que notícia ruim. Quando se aproxima das oito da noite e primeira leva de gorô acaba, gerando a primeira “vaquinha”. Conhecida também como “Vaca Mãe”, a primeira coleta é geralmente a mais bem sucedida. Os cerca de quinze primeiros a chegar estão sedentos por mais álcool e os bolsos ainda forrados. Então a geladeira fica cheia de novo, e as vezes algumas tem que ficar para fora, esperando. As dez não existe mais controle sobre quem sai ou entra, o que leva ou o que deixa, nem quem ou quando.

Tem muita risada. Entram e saem duas, três pessoas por vez do banheiro. Da para conspirar muito com relação ao que acontece lá dentro. O ímpeto é tanto que a última leva de carne queimava na churrasqueira. Para o pessoal mais sussa isso não é problema, na lara tem gente que come até sola de sapato. Imbecis tem para todo lado, uma espécime desta sempre vomita no sofá. Ninguém esperava por isso, mas as duas da manhã a maioria da galera que começou o agito já caiu fora, ou em algum canto da casa, e os/as inconvenientes que chegaram mais tarde ainda querem muito mais.

A noite passou como um furacão. Um lado do céu tem estrela, outro não. Qualquer vestígio de bebida foi consumido há bastante tempo. Quem tem companhia já esta na cama, as/os mais espertos que ainda restam vão dormir sozinhos. As/os que quiserem arriscar alguma coisa muito possivelmente terão uma péssima transa. Uma turma de alucinados sai em busca de um último suspiro para a noite, que já virou dia. O sol chega junto com o tedioso domingo, que não vai começar antes das três da tarde. Segunda tem prova e trabalho para entregar.

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