Críticas musicais 1 [resenha]

Maria Rita – Segundo

Muitos motivos para não ouvir.

Está ai um bom motivo para não se dar bola para a nova geração da MPB, Maria Rita. Neste novo CD, Segundo, da filha da lendária Elis Regina, ela mostra como desperdiçar um bom talento. Bons músicos, uma voz razoável, e o resultado da soma de tudo isso: um desastre. Falta ritmo. Falta riff. Falta bateria. Falta energia. Falta produção. Falta tudo.

Em compensação sobra tédio, depressão e amores perdidos. O auge veio na tentativa de regravar Minha alma (a paz que eu não tenho), do O Rappa. A canção tem um efeito mais devastador que Prozac ou Valium na mente humana, que chega a derreter quando toca Sobre Todas as Coisas.

Sem a mínima noção musical, Maria Rita e seu produtor, Lenine, tentaram de tudo na hora de fazer uma versão de Despedida, de Marcelo Camelo, ex-Los Hermanos. No fim das contas conseguiram criar algo pífio. Como diria o pessoal do Tolerância Zero, “o pior sintoma da decadência é o desespero”.

Quando por fim tudo parece acabar, surge uma faixa escondida para tristeza do ouvinte, com Maria Rita cantando: “A paixão é como um Deus/ que quando quer me toma/ todo o pensamento/ dirige os meus movimentos/ meu passo é desse/ meu pulso é desse/ todo poderoso sentimento”. Não tem salvação, ai você pensa: por que não fui ler um livro?

Obs: O lançamento de Segundo foi cercado de polêmicas. A mais humilhante delas veio através de uma denúncia da Veja. A revista alertou a todos que a gravadora da cantora distribuiu iPods, dos bons, para alguns dos críticos dos principais veículos de mídia do Brasil, junto com um CD e um DVD com o making of da gravação. Bom, talvez seja por isso que o bom Tolerância Zero, citado no release, nunca tenha tido um CD criticado por um grande jornal.

Molejo – Polivalência

É sério isso?

Escutando estas coisas eu penso: o que levou uma grande gravadora a investir nestes caras? Por que eles não gravaram num estúdio de ensaio. Custou caro. Tanta banda de Rock’n Roll, Heavy Metal, entre outras boas por aí, atrás do pote de ouro, e alguém entrega ele para o Molejo. Realmente um investimento mal feito.

Nós não aconselhamos, mas se um dia você escutar Polivalência vai descobrir por que nunca mais viu aquele sorriso torto no Domingão do Faustão. Demorou, mas o mundo descobriu toda falta de talento do grupo (sic). Tudo começa com Sweet Banana, uma versão de uma musica de um grupo latino, que dispensa comentários.

Quando, não vale a pena citar nomes aqui, o vocalista vomita “Los brasilenos le gustan / Banana Banana verde, banana”, me senti ofendido e mudei de faixa. Então começou a tocar a música título do CD. Na minha cabeça surgiu a imagem dos pagodeiros do grupo enfileirados, com seus óculos na cabeça, e sorrindo, no Domingo Legal. Socorro! Fui para a próxima.

Sentia que era um erro insistir, mas precisava escrever uma resenha, e para ser no mínimo justo tinha que tentar escutar. Acionei a função do meu som que toca apenas os trinta primeiros segundos de cada música. Não deu. Quando chegou na quinta música, Tchuco-Tchuco.Com.Br, tive um surto de desespero e quebrei o CD.

Na seqüência destruí a caixinha. Tinha comprado ele numa promoção das Lojas Americanas por R$ 3,99. Posso afirmar com convicção, foi o dinheiro mais mal gasto da minha vida. Estou profundamente arrependido de ter perdido dez minutos tentando ouvir isso. Não cometam o mesmo erro.

Obs: Se um dia você estiver criticando o Molejo e alguém tentar defendê-lo, lembre-se das palavras de Cristo: “Pai, perdoai-vos, eles não sabem o que escutam”.

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